E-commerce coloca Ceará na mira de gigantes globais
A chegada de grandes players como a H&M, gigante sueca de moda, e o movimento da Shopee para criar um Centro de Distribuição, em Itaitinga, mostram que o mercado consumidor cearense está no radar do mundo.
Essa posição estratégica faz sentido. Detentor da 5ª maior demanda por e-commerce do Brasil, atrás somente de Santa Catarina, que liderou o crescimento com 24%, Rio Grande do Sul (23%), Paraná (17%) e Distrito Federal (10%), o Ceará vem se consolidando como rota habitual do comércio de cargas. “Somando-se ao acordo do Mercosul com a União Europeia, o volume de mercado é de US$ 22 trilhões. Como somos uma rota natural para a entrada da União Europeia no Brasil, a expectativa é de que as grandes plataformas de logística estejam se antecipando a esse movimento estratégico de longo prazo”, explica Nertan Rabelo, especialista em varejo, centros comerciais e galpões logísticos e diretor-executivo da Auram Desenvolvimento Imobiliário.
Outro fator importante observado por Rabelo é a mudança do eixo logístico do país. “Eu já falo há muitos anos que o futuro da logística no Brasil é a descentralização para regiões de média densidade populacional, pois o custo de ocupação é menor e ainda temos o bônus de um menor custo por quilômetro rodado entre o eixo Sudeste do país e a região Nordeste”.
Apesar do olhar estratégico dessas companhias, o especialista não vê uma injeção plena de receita na economia cearense. “Não acredito que ocorra uma injeção de receita de forma perene, principalmente na formação de massa salarial para as grandes empresas de e-commerce. Hoje, a automação e a robotização diminuem bastante a necessidade de mão de obra direta”, detalhou.
Por outro lado, Nertan Rabelo destaca que a grande vantagem é o efeito cascata sobre as micro e pequenas empresas, que poderão utilizar as plataformas de fulfillment para vender e acessar um mercado muito maior, com as possibilidades de importação e exportação, que poderão valorizar as cadeias produtivas locais, com um custo menor de aquisição de mercadorias ou matérias-primas.
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